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:: REMÉDIO PARA DESÂNIMO E MESMICE, CONTRAINDICADO PARA AFETADOS ::
por leonardo vinhas

A sonoridade do ProzaK entorpece e
destrava mentes e corações

O som de uma guitarra sanguinária vaza pelos alto-falantes, enquanto uma batida entre o tribal e o desenfreado ampara o peso do baixo e de outra guitarra. Menos de um minuto e meio depois, o andamento muda para uma passagem puramente psicodélica e, pouco depois, esses dois climas se fundem para descambar numa torrente mesmerizante de peso. Apenas dois minutos e meio dessa catártica montanha-russa sonora, e o desânimo e tristeza do ouvinte foram embora. Isso é "Todas As Forças Negativas", faixa de abertura do CDemo da ProzaK, "Reciclando Almas".
Os irmãos Bruno (voz e guitarra) e Brisa Daitx (guitarra), o baterista Adilson Tessari e o baixista André Gules têm a ProzaK (assim mesmo, com K maiúsculo no final) desde 2001. Combinando influências diversas, criaram um som personalíssimo, mesmo sendo possível detectar ecos de Everclear, Afghan Whigs e Superdrag. Dessas influências e da vontade de criar sua própria expressão, a banda forjou uma sonoridade cheia de saraivadas instrumentais, ora aceleradas, ora lentas, mas sempre muito intensas. Chega até mesmo a assustar a sinceridade e entrega da banda, que faz com que versos como "não havia mentiras em minhas palavras/ era só um coração partido / Sem dialogo eu te conquistei com minhas lagrimas/ e delas fiz a chuva
Perfeita" soem perfeitamente críveis e naturais.
Em tempos em que CPM 22, "emocore" e canções como "Quando o Sol Se Pôr", dos Detonautas, são consideradas pela molecada como "emocionais" e "apaixonadas", o ProzaK entra como um enfarte no coração da juventude shopping center. Podem ser considerados radicais demais para tomar o dial das rádios, mas nenhum dos pré-fabricados roqueirinhos de bermudões têm estofo para compor transcrições emotivas de apelo pop como "Um Lugar Qualquer" e a já citada "Chuva Perfeita". Tampouco algum deles conseguiria fazer jus ao suado rótulo de "visceral" como esses gaúchos logram em "A Hora de Sobreviver" e "Você Perdeu Sua Fé".
A ProzaK é uma banda que cativa por expor abertamente suas qualidades e defeitos. "Reciclando Almas" foi lançado logo após a morte do pai dos irmãos Daitx, o que precarizou a divulgação do disco (o release chegou a mim escrito a lápis num pedaço de papel), mas reafirmou a absoluta crença que os quatro têm no poder revitalizador da música. Para quem ainda não entendeu o que isso quer dizer, Bruno Daitx tenta explicar na entrevista que segue. Para quem ainda não acredita, ouça a banda (tem MP3 no site www.prozakonline.cjb.net). Há muito tempo uma banda estreante não comunicava tanto prazer ao ouvinte.


Lado 1 - Por que o ProzaK existe? Como vocês resolveram montar a banda?
Bruno Q. Daitx - A ProzaK existe pelo amor de todos integrantes pela musica, todos investem sua vida na banda. Não para largar trabalhos chatos e ser famoso ou ganhar dinheiro só tocando, todos fazemos isso porque é a única coisa que sabemos fazer, é a única coisa que gostamos de fazer. Independente de sermos reconhecidos ou não, sempre vamos fazer nossas musicas.

Muitas de suas letras parecem ter um certo tom espiritual, perceptível em títulos como "Você Perdeu Sua Fé", "Todas As Forças Negativas" e o próprio nome da demo, "Reciclando Almas". Vocês têm a preocupação de refletir algo religioso?
Na verdade, eu, que faço as letras, nunca me preocupo [sobre isso] ou tento passar ou ditar alguma idéia, tento fazer as pessoas pensarem, refletirem através de suas interpretações e sonharem. Mas sobre o tom espiritual, com certeza é uma influencia, até mesmo porque fomos criados assim, meus pais sempre falavam nisso para nós e acredito muito na espiritualidade das pessoas, garanto que as pessoas que já se foram e gostam de nós com certeza estarão sempre nos guiando espiritualmente para o caminho certo.

Aliás, o próprio nome da banda já reflete uma idéia de querer afugentar a depressão...
Pois é, você foi o único que conseguiu interpretar o nome da banda direito. Geralmente as pessoas acham que a gente faz um som meio Radiohead e somos depressivos. Não, o nome é esse porque a banda nos deixa feliz, então ela funciona como um remédio para nós, por isso o “Prozac”.

Tanta sinceridade e emoção nas composições deve despertar reações extremas de amor e ódio em quem ouve a banda. Isso acontece? Como é o público de vocês?
Pelo que eu vejo nos shows, é um tom apreensivo nas pessoas, muitos que vêm falar comigo gostam dessa “alma desesperada” que passamos para as musicas, mas já vi muita gente dizer que não gostou porque achou muito forte ou que fazemos isso para chamar a atenção.

No meio do "portentoso" cenário do rock de Porto Alegre, imagino que vocês sejam estranhos no ninho. Como é viver no meio disso, e ainda sendo uma banda sem grana?
Porto Alegre sempre foi dividido em “panelas”: os punks/hardcore, alternativos/emo, e agora os “antigões”, famosos filhotes de cachorro (grande). Por incrível que pareça, a gente conseguiu tocar em todos antros de POA e sempre a convite. Isso eu acho que já é um reconhecimento do nosso trabalho pelo nossos próprios colegas. Acho que nós gostamos de ser “estranhos no ninho”.

Na questão financeira, parece que vocês passaram por sérios apertos recentemente, principalmente na "vida real" mesmo. Qual é a motivação para continuar na banda com isso tudo acontecendo?
Na verdade todos passamos por apertos financeiros o tempo inteiro, já tivemos varias frustrações com a música, mas amamos muito tocar e compor, nunca vamos deixar a musica. E o mais importante: somos muito amigos e irmãos antes de sermos colegas de banda, e temos uma história, o que poucas bandas têm hoje em dia. É praticamente impossível desistir.

O som da demo é bastante pesado, poderoso. Vocês conseguem manter essa intensidade no palco? Por falar nisso, tem feito muitos shows?
Com certeza absoluta! Somos uma banda de rock'n'roll tosco. Geralmente o repertório é escolhido a dedo para show ficar cada vez mais “pancada”, como diz o nosso baterista Adilson, que por sinal é o talento da banda, ele é o responsável por todo peso da banda. Sobre os shows, estamos numa boa fase novamente. Recentemente abrimos para o Jupiter Apple Maçã (risos), mesmo com a diferença bizarra de estilos. Nossa agenda está com 2 a 3 shows por mês e vamos tentar aumentar isso agora, tocar mais para o interior.

Vocês assumem suas influências, e elas são bastante perceptíveis mesmo. Musicalmente, qual é o dado mais pessoal do som do ProzaK?
Na verdade cada um escuta um tipo de musica, acho que eu e meu irmão temos gostos mais parecidos até mesmo porque fomos criados escutando o mesmo tipo de musica, aí já cito Raul Seixas e Pink Floyd. Depois conhecemos Nirvana e nossa vida mudou. Provavelmente é a única influencia geral da banda. Depois com o tempo cada um seguiu seu rumo, eu sou fã de Everclear, Eels e Superdrag, o Brisa curte muito o rock inglês, Oasis, Bush... Adilson gosta muito de Primus, Sepultura... o André curte um lance mais underground , adora Babychaos. Enfim, é difícil botar um rotulo, a gente deixa o publico nos rotular, pena ou legal que ninguém conseguiu ainda. (risos)

Com tantos selos por aí, não receberam uma proposta de nenhum para lançar um disco?
Os selos daqui dão preferencia às bandas que têm um público grande e nosso público ainda não se consolidou. Mas até o ano que vem surpresas vão acontecer, estamos na pré-produção do novo álbum, que com certeza vai ter uma copia em cada capital do Brasil.

No site, no encarte e em outros lugares vocês se autodenominam "família". A relação entre os integrantes é familiar mesmo?
Sim, isso às vezes pode até atrapalhar, relação familiar tem seus defeitos, mas ajuda também no processo de composição, temos mais intimidade. Somos todos irmãos, todos pensam da mesma forma e todos que ajudam a banda, ajudam por gostar dela, todos eles formam a “Família ProzaK”.

Como você vê a banda no futuro?
Cada vez mais unida, fazendo um show cada vez mais “pancada” e compondo bastante.

Site: www.prozakonline.cjb.net
E-mail: oficialprozak@antisocial.com

 

 

 

 

 

 

 

 

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